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Nossa Senhora da Boa Fé
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Ao transpor
o portal manuelino da pequena Igreja de Nossa
Senhora da Boa Fé, o visitante é
surpreendido por uma intensa e suave luminosidade
azul e branca que emana do alto revestimento
de azulejos da nave. Trata-se de um conjunto
reorganizado em obras posteriores ao grande
sismo de 1755, que optou, no nível
inferior, pela manutenção das
albarradas e padrões Barrocos - realizados
entre a última década do século
XVII e primeira do século XVIII - acrescentando
uma série de painéis figurativos
com cenas da Vida da Virgem, na parte superior.
Do lado direito de quem entra, houve necessidade
de se refazer os conjuntos de albarradas,
e podemos comparar as diferenças técnicas
que separam as duas produções,
com a preferência pela adopção
de um tom mais claro de azul, que corresponde
a um maior refinamento na manufactura das
tintas e a incorporação
de menor quantidade de óxido de cobalto.
Além do enraizamento do gosto, foi
esse afã restaurador e revivalista,
presente em muitas intervenções
pós-terramoto, o responsável
pela manutenção, dentro do ciclo
de azulejaria Rococó, de uma produção
mais conservadora, realizada apenas a azul
e branco.
Um registo de Nossa Senhora localizado no
exterior, e dois frontais de altar completam
o valioso espólio azulejar do templo
da Boa Fé, um primeiro realizado com
o aproveitamento de azulejos de padrão,
e um segundo pela adaptação
de um conjunto maior, demonstrando a validade
decorativa do azulejo, muito para além
das campanhas decorativas para os quais foram
produzidos. |
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