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A Vida da Virgem
Oficina de Lisboa
Terceiro quartel do século XVIII |
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A grande
expressão do culto mariano, com numerosos
templos dedicados a Nossa Senhora, faz das
cenas da Vida da Virgem uma das séries
mais reproduzidas na azulejaria figurativa
de setecentos.
Os conjuntos de painéis articulavam-se
no espaço arquitectónico através
da repetição de molduras que,
no período Rococó, tendem assumir
contornos sinuosos com a introdução
de concheados.
Como indicam as legendas em latim de cada
episódio, a série segue um programa
iconográfico uniformizado, para o qual
os pintores de azulejos apoiavam-se em gravuras
que, salvo uma ou outra pequena alteração,
reproduziam com fidelidade. Apesar de matrizes
comuns para toda a produção
figurativa setecentista, são marcantes
as diferenças com a produção
do segundo quartel do século XVIII,
realizadas pelas oficinas onde Sebastião
de Almeida, José dos Santos Pinheiro
e Joaquim de Brito haviam iniciado a sua aprendizagem.
A nova característica imediatamente
perceptível é a adopção
de um azul cerúleo, pouco intenso mas
reforçado pelo brilho transparente
do vidrado. Como se pode observar, por exemplo,
no episódio da Fuga para o Egipto,
na pintura opta-se pelo delineamento preciso,
com pinceladas secas em oposição
a expressividade anterior -, e por uma gradação
de tons muito suave, valores plásticos
que também estavam presentes na pintura
da época.
No revestimento da Boa Fé, que além
da Vida da Virgem inclui a representação
dos Evangelistas no arco triunfal, já
estão amadurecidas as características
que iriam vigorar durante toda a segunda metade
do século XVIII, incluindo a produção
da Fábrica Real do Rato. Curiosamente
essas inovações estão
presentes num programa de reconstituição,
que inclui a azulejaria seriada precedente
e uma disposição a simular um
conjunto pinturas com molduras na parte superior
da nave, tão ao gosto
Barroco.
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