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A devoção mariana marcou
e continua a marcar muito fortemente toda
a Europa católica, sobretudo nos
países do Sul onde nunca sofreu a
crítica de algum humanismo e menos
ainda a oposição protestante.
Vários factores, mais ou menos profundos,
contribuíram para esta enorme difusão
do culto de Maria. Factores antropológicos
como a ligação ancestral das
sociedades agrárias pré-cristãs
ao culto da deusa-mãe, factores históricos,
de coincidência da ocupação
territorial pós reconquista com o
maior desenvolvimento medieval do culto
da Virgem, primeiro através de S.
Bernardo e logo depois com a piedade mendicante
e as irmandades laicas marianas dela resultantes,
finalmente razões litúrgicas,
como a multiplicação de festas
marianas no calendário, coincidindo
muitas delas com momentos particularmente
importantes na vida das comunidades. A estas
festas associaram-se romarias, fama de milagres
e aparições que multiplicaram
as formas de devoção a Maria
e tornaram-na a essencial mediadora entre
os homens e o mundo celeste, a "advogada"
de que fala a Salvé Rainha, sem dúvida
uma das mais difundidas orações
medievais.
Esta enorme devoção teve obviamente
o seu reflexo na arte e o facto de se tornar
um culto em grande medida intermediador
levou a uma particular utilização
da escultura, arte mais favorável
à expressão da piedade popular
e individual. Por outro lado é bom
não esquecermos que o nome Maria
provêm do hebreu Maryam, que
significa bela, tornando-se para os artistas
no modelo mais elevado e também mais
utilizado de procura de uma ideia do belo,
nas suas dimensões físicas
e espirituais, correspondendo assim a um
tempo e a um desígnio espiritual
e artístico.
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