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Virgem do Rosário
Séc. XVII/XVIII
Madeira
Alt. 45 cm x Larg. 19,50 cm
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Esta
escultura é bastante curiosa pela junção
de influências que apresenta e também
pela forma repetitiva como apresenta a sua
invocação. A devoção
do Rosário de Nossa Senhora surgiu
na Alemanha no século XV e difundiu-se
cedo em Portugal através da criação
das respectivas confrarias que patrocinavam
uma prática espiritual leiga intensa
e aplicável a toda a sociedade. O rosário
aparece presente na imagem de três formas
- no desaparecido elemento que a figura transportava
na mão direita, numa espécie
de colar que pende do pescoço da Virgem
e no duplo cordão que delimita o resplendor
oval que serve de espaldar à imagem.
Este tipo de enquadramento foi muito usado
nas pequenas esculturas de Malines do fim
do século XV e inícios do XVI,
que foram bastante populares no culto doméstico
entre nós (Museu Nacional de Arte Antiga,
invº 1350). A escultura que apresentamos
é bastante mais tardia, devendo datar
de inícios de seiscentos, mas retoma
claramente este modelo, associando-o a uma
certa influência orientalizante que
se detecta no tratamento das nuvens e nalgum
decorativismo. Da mesma invocação
e cronologia é a célebre escultura
em prata do Museu de Arte Sacra da Sé
de Évora, doada por Diogo de Brito
em 1616 à Confraria do Rosário
do Convento de S. Domingos, cuja proximidade
com esta obra, mesmo formal, deixa ver a popularidade
do modelo na região.
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