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As colecções de joalharia
e ourivesaria da vasta Arquidiocese de Évora,
que teve como seu primeiro arcebispo o Cardeal
D. Henrique, são ricas em exemplos
de grande valor gemológico não
só do ponto de vista patrimonial,
como também, e sobretudo, do ponto
de vista do seu contributo para um melhor
conhecimento da história da utilização
das pedrarias, em especial nos sécs.
XVIII e XIX, períodos que estão
particularmente bem representados nos referidos
acervos. O critério de escolha destas
peças no roteiro foi, portanto, fundamentalmente
o gemológico, sem esquecer, no entanto,
os seus atributos estéticos e histórico-artísticos
cujo relevo foi também determinante
nesta selecção. Não
se deve esquecer que a existência
destas peças em metais nobres com
pedrarias preciosas nas colecções
da Igreja teve na sua origem actos de fé,
sendo testemunhos de graças e favores,
de confirmação de fé
e de esperança na intervenção
divina. Esta origem é aqui salientada
pois permitiu a instituição
a quem foram confiadas pelo povo devoto
que estas jóias se mantivessem intactas,
podendo ser, desta forma, utilizadas com
segurança para os pretendidos fins
de investigação científica,
constituindo os resultados do estudo gemológico
que esteve na base desta selecção
válidos subsídios para a história
da joalharia portuguesa. Assim, o tipo de
pedras utilizadas e suas proveniências
geográficas prováveis, os
seus estilos de lapidação,
os seus substitutos, as técnicas
para o seu melhoramento, as designações
antigas, entre outras informações
estão aqui preservadas quase no seu
estado original, o que é notável
do ponto de vista da investigação.
As 15 peças ora seleccionadas pretendem,
assim, cobrir alguns dos aspectos gemológicos
de maior interesse e valor, designadamente
no que diz respeito à utilização
dos diamantes e de algumas pedras de cor,
designadamente os rubis e as esmeraldas,
mas principalmente as pedrarias que, a partir
do séc. XVIII, começaram a
vir do Brasil em grandes quantidades, tais
como, por exemplo, o topázio, o crisoberilo,
o quartzo (ametista, citrino e cristal-de-rocha)
e o berilo (goshenite).
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