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Na sua terceira edição, esta newsletter
privilegia a apresentação do website do
Inventário do Património Cultural Móvel
da Arquidiocese de Évora, porventura o mais interessante
e completo meio de divulgação e comunicação
do projecto.
Da Universidade de Coimbra chega a perspectiva do Professor
Saul Gomes Coelho da Silva, que destaca o contributo
deste inventário à investigação
histórica aplicada, nomeadamente à Sigilografia
(lat. sigillu selo + gr. graphein descrever)
- disciplina auxiliar da História que estuda,
sistemática e metodicamente, os selos e os discursos
simbólicos e ideológicos que lhes estão
subjacentes.
Na sequência deste artigo, os Destaques desta
edição apresentam dois exemplares de matrizes
sigilares. O selo de D. Frei Miguel de Sousa (Távora),
Arcebispo de Évora (1741-1759) e o selo com as
armas da Ordem Terceira de S. Francisco. O uso dos selos
estava inicialmente reservado aos soberanos, aos grandes
senhores feudais e aos prelados, que os utilizavam para
autenticar documentos. Com o tempo, a sua utilização
generalizou-se às comunidades religiosas e aos
particulares.
Evoca-se ainda a memória de Diogo José,
escultor eborense do século XVIII, a pretexto
da localização e da identificação
de uma sua escultura de S. Pedro. Esta descoberta permite
lançar novos e importantes elementos para o estudo
comparativo da produção local de peças
escultóricas, muito abundantes nas nossas Igrejas.
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Apresenta-se aqui o website do Inventário
Artístico da Arquidiocese de Évora,
que a Fundação Eugénio
de Almeida criou tendo em vista a divulgação
do projecto à escala global.
Porque não basta conhecer. Porque
é imperativo dar a conhecer este
riquíssimo património histórico,
artístico e espiritual, marca maior
da nossa identidade cultural.
Neste sentido, a internet é o suporte
e o veículo ideal para a recolha
e circulação da informação,
pois elimina barreiras físicas, espaciais
e até temporais.
Este website apresenta uma estrutura simples,
garantindo o fácil acesso aos conteúdos
e a navegabilidade a pessoas com necessidades
especiais.
A página de entrada funciona como
um índice, onde se destaca o acesso
on-line à base de dados do
inventário, quer à generalidade
dos utilizadores (In Web), quer a
um segmento de utilizadores muito particular
- os jovens (In Web Junior). Para
estes foi criado um design gráfico
especifico, que se pretende apelativo, interactivo,
formativo e informativo.
Destacam-se, igualmente, os roteiros de
carácter histórico e artístico,
nos quais são apresentadas peças
que, pela sua qualidade, constituem referências
fundamentais para a História da Arte
em geral e para a História de Portugal
em particular.
O Glossário apresenta uma lista
de termos genéricos, ordenados alfabeticamente,
fazendo referência apenas a aspectos
relevantes de cada entrada. Esta lista reflecte
os conteúdos da base de dados, constituindo
um precioso instrumento de apoio à
sua consulta e/ou pesquisa.
Este site permite ainda ao utilizador solicitar
esclarecimentos, de carácter técnico
e cientifico, sobre a base de dados e/ou
o projecto.
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Instituto de Paleografia
e Diplomática da Universidade de
Coimbra
Desde cedo que o Homem recorreu à
impressão de símbolos para
definir marcas de propriedade e de responsabilidade
individual ou colectiva. Na antiga Mesopotâmia,
reis, sacerdotes e mercadores utilizavam
pequenos cilindros com que imprimiam sinais
destinados a selar e garantir contratos,
a confidencialidade de mensagens ou de outro
género de informação
pertinente que importava validar. Multiplicaram-se,
desde então, as matrizes sigilares,
em especial as anelares, frequentemente
lavradas em metais preciosos.
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Fenícios, Gregos, Romanos, Bizantinos
e Árabes, para nos atermos a culturas
mediterrâneas, usaram de forma intensiva
o selo como sinal identificador e delimitador.
A Sigilografia, como disciplina historiográfica,
ocupa-se do estudo desses "pequenos
monumentos" em cuja raiz etimológica
se encontra a ideia de "sigillum",
ou seja, de algo que é sigiloso,
secreto, reservado a uma utilização
exclusiva e qualificada por parte de um
senhor ou de uma chancelaria.
A Idade Média ampliou grandemente,
como se de uma idade de ouro se tratasse,
os usos institucionais e sociais do selo.
Os modelos imperiais carolíngios,
como também os pontifícios,
serviram de modelo inspirador a muitas chancelarias
régias, episcopais, monásticas
e mesmo municipais desses séculos
de antanho.
Eles constituem, hoje em dia, uma fonte
histórica muito relevante para o
esclarecimento e estudo de questões
apaixonantes do passado de um país.
Os selos régios portugueses, por
exemplo, são uma das fontes mais
preciosas, hoje em dia, para o estudo e
descoberta das origens remotas do valor
simbólico subjacente às insígnias
nacionais. Lavrados em metal (chumbo, prata
e mesmo ouro), em cera ou impressos sobre
papel, obreia ou lacre, entre outros materiais,
os selos combinam harmoniosamente imagem
com texto, testemunhando um passado em permanente
transformação que se pode
observar, ainda hoje, no espelho das formas
e cores lumínicas que fazem dessas
pequenas e valiosas peças objectos
únicos, insubstituíveis e
dignos de figurar em qualquer colecção
ou expositor museológico.
Disciplina já praticada em Portugal
em pleno século XVIII é, na
actualidade, ensinada no âmbito das
disciplinas oferecidas pelo Instituto de
Paleografia e Diplomática da Faculdade
de Letras da Universidade de Coimbra a todos
quantos queiram frequentá-la.
Neste sentido, cumpre valorizar a qualidade
e a importância da colecção
de matrizes sigilares da Arquidiocese de
Évora agora disponibilizada.
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Quando se procedeu à inventariação
da Igreja de Santa Marta, em Évora,
constatou-se que estava desaparecida uma
das imagens enumeradas no Inventário
Artístico, elaborado por Túlio
Espanca(1)
em 1966. Tratava-se de uma escultura de
São Pedro, colocada à época
numa das mísulas laterais ao altar-mor.
Com o decorrer dos actuais trabalhos de
inventariação e por comparação
com uma fotografia constante no referido
inventário(2)
foi possível não só
localizá-la, na Quinta de Santo António,
como proceder à identificação
cabal do seu autor - Diogo José,
escultor, registado no livro dos Acórdãos
da Meza da Irmandade de Santa Marta(3).
A 28 de Setembro de 1768 foi despachada uma
petição de esmola, da autoria
de Diogo José, na qual este referia
que se considerava prejudicado quanto ao valor
acordado com o tesoureiro da Irmandade pelo
custo desta escultura. A petição
foi atendida, sendo entregue ao escultor a
quantia de 1 600 rs.
A referida escultura representa o Santo
Papa de pé e frontal, em posição
hierática, abençoando com
a mão direita e segurando na esquerda
um báculo rematado pela cruz papal
(amovível). Possui o rosto magro
com feições marcadas e barba
grisalha. O corpo, verticalmente inclinado
para a esquerda, veste um paramento estofado,
com folhagem, que cai rigidamente em pregueado
miúdo e paralelo.
Diogo José, já em 1725(4),
quando recebe o hábito de noviço
da Ordem Terceira de São Francisco,
é mencionado como escultor, residente
na Rua de Alconchel.
Nove anos mais tarde, em 1734(5),
a propósito da admissão na
Ordem Terceira de S. Francisco da sua primeira
esposa, Francisca Maria, fica-se a saber
que habita na Rua da Cal Branca.
Encontraram-se outras referências
a este escultor eborense, nomeadamente em
Março de 1742(6),
a propósito da venda de umas casas
na Rua da Tâmara a Antónia
Teresa.
Seguem-se dois registos de empréstimos
contraídos por Diogo José,
casado em segundas núpcias com Maria
Morena, de quem teve pelo menos uma filha,
Ana Maria Filipe. Datam os referidos registos
de Novembro de 1757(7),
no montante de 88 000 rs, às religiosas
de Santa Marta, e de Junho de 1774(8)
a D. Pascoal Oldovino na quantia
de 100 000 rs.
Apenas um ano depois, a 3 de Março
de 1775(9),
o escultor morre na freguesia de Santo Antão.
É-lhe administrado apenas "o
Sacramento de Extrema-unção
por morrer de um estupor e sem testamento"
após o que foi sepultado no cemitério
dos Remédios, na campa 19(10).
O número de entalhadores documentados
em Évora é muito significativo,
o que não acontece com os escultores.
Por este facto, a identificação
da autoria de uma imagem como a de São
Pedro, é de grande importância,
não só pela falta de conhecimento
de escultores e das suas obras, daquele
período na cidade de Évora,
como pelo facto deste tipo de escultura,
de feição mais popular e reveladora
de uma maior dureza de representação,
ser muito mais difícil de datar e
de contextualizar, sobretudo se estiver
repintada.
Por isso, o apuramento da autoria e datação
de uma peça, com estas características,
permite lançar novos elementos para
o estudo comparativo da produção
local de esculturas iconográficas,
tão abundantes nas nossas Igrejas,
caracterizadas por alguma sobriedade, verticalidade
e cariz menos erudito. SN
(1)
Espanca, Túlio, Inventário
Artístico de Portugal - Concelho
de Évora, vol. I, 1966.
(2) IDEM, vol II, Est. CDXXII
(3) Irmandade de Santa Marta, Livro
6, 1753, fl. 182 v.
(4) Arquivo Paroquial de São
Pedro, Livro Primeiro dos Noviços,
1688-1736, fl. 139.
(5) Idem, fl. 265.
(6) ADE, FN, Évora, Liv. 1104,
fl. 3-7.
(7) Idem, Liv.1308, 29 v - 30 v.
(8) Idem, Liv. 1438, fl. 93 v. -94
(9) ADE, Paroquiais de Évora,
Óbitos de Santo Antão, Liv.
56, fl. 134.
(10) BPE, CXXVI/2-21) e Espanca,
Túlio, A Cidade de Évora,
nº 48-50, p. 187 - 195.
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· Em Junho, ficou concluída
a inventariação das instituições
religiosas dos concelhos de Borba , Mourão
e Alandroal.
· A convite da Associação
Amigos dos Castelos foi apresentado,
em Lisboa, o projecto do Inventário
do Património Cultural Móvel
da Arquidiocese de Évora. Foi assim
reconhecido o papel da Fundação
Eugénio de Almeida na promoção
do conhecimento do património histórico,
artistico e religioso português, bem
como a importância das relações
de cooperação entre instituições
ligadas à cultura.
· Realizou-se no dia 28 de
Junho, no Fórum Eugénio de
Almeida em Évora, uma workshop subordinada
ao tema Património Religioso:
factor de promoção turística
e cultural.
No evento, moderado por João Brigola
- docente da Universidade de Évora
- participaram, entre outros, Pedro Providência
Costa da Delegação Regional
de Coimbra do IPPAR, Monsenhor Leal Pedrosa
da Diocese de Coimbra, Rui Francisco e Fátima
Santos do grupo de Teatro O Bando.
O programa encerrou com a comunicação
de Natália Correia Guedes, Comissária
para as Comemorações do V
Centenário do Nascimento de S. Francisco
Xavier.
O interesse do programa reflectiu-se na
forte adesão das entidades públicas
e privadas, ligadas aos sectores da promoção
turística e cultural, que aceitaram
partilhar as suas percepções
e experiências.
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