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O início de 2007 marca o arranque de mais uma fase do projecto de Inventário Artístico da Arquidiocese de Évora, que a Fundação Eugénio de Almeida está a realizar. No final desta etapa terão sido inventariadas cerca de 46 instituições localizadas nos concelhos de Arraiolos, Avis e Viana do Alentejo.
Este número da Newsletter destaca outras acções associadas ao projecto, como a edição do livro de gemologia Pedras Preciosas na Arte e Devoção e do Cd-rom Artes na História, importantes contributos para a sua divulgação.
Apresentam-se também três exemplares de peças com particular interesse, como um ex-voto do início do século XX, que representa o agradecimento de um devoto pela intercessão divina de Nossa Senhora.
Recorda-se, ainda, o traço estilístico de Gabriel del Barco, responsável, nos finais do séc. XVII, pela introdução do gosto pelos painéis de azulejos de composição figurativa monocromática em Portugal.
O trabalho realizado pela equipa de inventário permitiu confirmar ter sido este artista o autor dos painéis da sala da Confraria do Santíssimo Sacramento, na Igreja de S. Mamede, o que veio lançar novos elementos para o estudo da sua presença no Alentejo. |
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Estavas no Éden, jardim de Deus; Cobrias-te de toda a espécie de pedras preciosas: sardónica, topázio, diamante, crisólito, ónix, jaspe, safira, carbúnculos, esmeralda, cravejadas de ouro. Ezequiel 28,13
”De toda a espécie de pedras preciosas (…) estão também cobertas as colecções de joalharia e ourivesaria da Arquidiocese de Évora”, lê-se na introdução do livro que a Fundação Eugénio de Almeida editou no âmbito do projecto de Inventário.
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São verdadeiros tesouros gemológicos que se dão a conhecer ao grande público através da narração da sua origem e história, mas também das técnicas de identificação e classificação que presidiram ao seu estudo e avaliação.
Propõe-se, nesta edição inédita, um percurso textual simples, de carácter generalista, mas profusamente ilustrado, susceptível de atrair e satisfazer a curiosidade do público relativamente aos vários grupos de materiais gemológicos encontrados.
Para além da descrição das gemas e do relato das suas utilizações entre os sécs. XVII e XIX, disponibiliza-se um Glossário com os termos técnicos mais específicos incluídos na obra.
Pedras Preciosas na Arte e Devoção, da autoria de Rui Galopim de Carvalho, gemólogo e embaixador em Portugal da International Colored Gemstone Association, pretende constituir-se como mais um importante contributo para a história da joalharia portuguesa.
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A Fundação Eugénio de Almeida lançou mais um produto associado ao Inventário Artístico da Arquidiocese de Évora: o Cd-Rom Artes na História.
Este Cd-Rom didáctico e interactivo toma por base muita da informação recolhida ao longo do trabalho de inventário e destina-se aos alunos e professores do 2º e 3º ciclos e Ensino Secundário.
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Pretende-se, desta forma, sensibilizar a população escolar para o conhecimento, a conservação e o respeito por um património comum, e disponibilizar não só um novo instrumento de trabalho para os docentes das áreas de História, Artes Visuais e Projecto, mas também uma fonte atractiva e interessante de informação para os jovens que queiram aprofundar os seus conhecimentos em diversas matérias.
Artes na História inclui um Banco de Imagens a partir de peças inventariadas, um jogo didáctico, um Glossário e diverso material de apoio, como um Friso Cronológico e fichas de trabalho.
Por forma a melhor assegurar o seu rigor científico e pedagógico, a Fundação contou com a colaboração de uma equipa transdisciplinar de especialistas, responsáveis pela criação e desenvolvimento dos conteúdos.
O Cd-Rom foi já distribuído gratuitamente pelas bibliotecas e centros de recursos de todas as escolas EB 2,3 e Secundárias do país.
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“[O website do Inventário Artístico da Arquidiocese de Évora] é de extrema importância pelo seu conteúdo, do ponto de vista do mero pesquisador com interesse geral, como também em termos de trabalho mais especifico (como os utilizadores do IPCR), está bem conseguido e agradável de pesquisar. Gostaria ainda de referir a excelente qualidade estética.” Maria Gabriela Carvalho - Instituto Português de Conservação e Restauro
“O website do Inventário Artístico da Arquidiocese de Évora é um dos mais agradáveis e bem concebidos que me foi dado conhecer...” Maria de Jesus Monge – Museu Biblioteca da Casa de Bragança
“Magnífico trabalho realizado sobre o Inventário Artístico da Arquidiocese de Évora. No vosso site passei um bom tempo de pesquisa, comparações e jogos.” Margarida Teves Oliveira – Museu Carlos Machado – Açores
“Excelente design, boas fotografias e descrições acessíveis.” Patrícia http://newmouseion.wordpress.com/
“Mais uma iniciativa que vale a pena salientar como um bom exemplo de divulgação do Património.” Ana Carvalho http://nomundodosmuseus.wordpress.com/
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Na inventariação da Igreja de São Mamede de Évora salienta-se, na azulejaria, o conjunto da sala da Confraria do Santíssimo Sacramento.
Esta obra de cerâmica azul e branca reveste totalmente as paredes da referida sala e compreende os seguintes painéis de composição figurativa: Moisés fazendo brotar água da rocha; A serpente de bronze; Fé; Esperança; Caridade; Filho Pródigo; Santíssimo Sacramento e Regresso do Filho Pródigo. Observam-se igualmente albarradas e molduras ornamentais.
O primeiro autor a atribuir esta obra ao espanhol Gabriel del Barco [Siguenza, 1649 – Lisboa (?), 1703 (?), foi J. M dos Santos Simões(1) que afirma: «Não julgamos que se tenham atribuído a Gabriel del Barco outros trabalhos além dos que o artista teve o cuidado de assinar, nem encontrámos nunca referências a discípulos seus. No entanto cremos ter deparado em Évora com outros revestimentos de azulejo que bem se podem atribuir ao artista espanhol ou aos quais ele não foi de todo estranho. Referimo-nos ao revestimento quase desconhecido da sala da Irmandade na Igreja de São Mamede e quer-nos parecer que é esta a primeira vez que se lhe faz referência crítica». Túlio Espanca(2) vem reforçar a proposta de autoria, seguido de José Meco(3).
Neste conjunto interessa-nos agora o painel que retrata o Regresso do Filho Pródigo, representado à entrada de casa a abraçar o Pai. Nas escadas de acesso representam-se várias figuras masculinas que assistem à cena, e um cão. À direita do observador, a paisagem integra arquitecturas: aqueduto (?), porta de acesso à cidade, com suas grades, e um obelisco piramidal. Emoldurado por colunas de espiras, com motivos vegetalistas, e nos registos horizontais por enrolamentos de folhas de acanto, centrados por cartelas barrocas de reservas ovaladas.
Neste painel à esquerda do obelisco onde encontrámos a assinatura do referido pintor de azulejos poder ler-se: Gabriel barco fez / na era de 1699 (?). A leitura da segunda linha não é muito segura e as duas seguintes são praticamente ilegíveis. Todavia, a descoberta desta assinatura vem confirmar a atribuição feita por J. M. dos Santos Simões, há mais de sessenta anos.
Quanto à datação é muito provável que se trate de 1699, período em que o pintor executou o revestimento da nave da Igreja de Santiago, em Évora, trabalho que se prolongou até ao ano seguinte.
Nessa obra, o painel do Regresso do Filho Pródigo, de maiores dimensões, apresenta grandes semelhanças com este, embora revele traço mais cuidado. Curiosamente, foi nele que o pintor assinou e datou a obra, tal como em São Mamede.
Deste período, são igualmente da autoria de Gabriel del Barco os azulejos da igreja do Convento dos Lóios, de Arraiolos (1700) ou a decoração da Capela de Nossa Senhora da Conceição, do Convento de São Paulo da Serra de Ossa, Redondo (c.ª 1696) que lhe é atribuída.
Em todos estes exemplares sobressai a grande expressividade e rigor de desenho do artista, a par da variedade de tons de azul cobalto, com fortes efeitos de transparência, a que se junta o manganês usado em algumas molduras na sala do Santíssimo Sacramento de São Mamede.
Também nesta igreja o artista recorreu às tradicionais arquitecturas, motivos escultóricos e fitomórficos que, em especial nas molduras, conferem uma monumentalidade barroca ao conjunto. PV
(1) Simões, J. M. dos Santos, “Alguns azulejos de Évora (cont.). Século XVIII” in A Cidade de Évora, n.º 7-8, 1944, pp. 41-52.
(2) Espanca, Inventário Artístico de Portugal - Concelho de Évora, vol. I, 1966, p. 267.
(3)Meco, José “Gabriel del Barco” in Dicionário da Arte Barroca em Portugal, Editorial Presença, Lisboa, 1989, pp. 66-69. |
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· Está concluída mais uma fase do projecto de Inventário Artístico da Arquidiocese de Évora, referente aos concelhos de Vila Viçosa, Redondo, Borba, Alandroal e Mourão.
· A convite da organização do congresso internacional Europae Thesauri (Beja), o coordenador do projecto de Inventário, Dr. Artur Goulart Melo Borges, apresentou, no dia 25 de Novembro de 2006, uma comunicação em que abordou, para além da situação actual dos museus de arte sacra diocesanos, o papel assumido por este projecto da Fundação Eugénio de Almeida na salvaguarda e no conhecimento do património cultural da Arquidiocese de Évora.
· O projecto de Inventário esteve representado no II Congresso Internacional de la Alfabetizacion Tecnológica, realizado em Badajoz, nos dias 29 e 30 de Novembro de 2006. Neste encontro de partilha de experiências de utilização das novas tecnologias de informação, foram dados a conhecer os produtos multimédia elaborados no âmbito da divulgação do projecto.
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