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Dando sequência à divulgação do Inventário Artístico da Arquidiocese de Évora, a Fundação Eugénio de Almeida apresenta mais um número da newsletter do projecto.
Esta edição reflecte a conclusão de mais uma etapa do trabalho que tem vindo a ser realizado desde 2002, que desta vez incidiu sobre o concelho de Viana do Alentejo.
Merece por isso destaque o artigo referente ao Santuário de Nossa Senhora D’Aires, testemunho intemporal de uma devoção que remonta ao século XVI e que continua, ainda hoje, profundamente arraigada na fé de milhares de crentes.
A equipa de projecto vai debruçar-se agora sobre outros espólios, mantendo sempre o mesmo objectivo: conhecer e dar a conhecer, em cada lugar, verdadeiras relíquias culturais, históricas, artísticas e devocionais que são parte integrante da memória colectiva que desagua na História e na nossa própria identidade enquanto povo.
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Este projecto do Inventário Artístico da Arquidiocese de Évora tem como objectivo principal o conhecimento, a catalogação e a divulgação de uma parte significativa de um património histórico-artistico e religioso que é uma das marcas mais valiosas da nossa identidade cultural.
Uma das suas mais-valias resulta da constituição de uma base de dados que conta, neste momento, com um conjunto de informações relativas a um total de 14.000 peças, provenientes de 12 concelhos e cerca de 40.000 imagens que reproduzem os mais variados aspectos dessas peças, constituindo importantes fontes para o estudo e o conhecimento concreto dos acervos inventariados.
Uma parte da informação recolhida sobre este património, datado do século XIII até meados do século XX, está já disponível on-line e portanto acessível a um número crescente de utilizadores, permitindo o uso da informação como instrumento de trabalho aos que se dedicam, em particular, à investigação histórica, estimulando o estudo das peças e das colecções, constituindo-se, assim, um suporte relevante na produção de conhecimento.
Os acervos paroquiais surpreendem constantemente com as novidades encontradas e não incluídas nos inventários existentes. Tal explica-se com o facto de as paróquias, para além das peças que desde sempre lhes foram confiadas, possuírem ainda objectos de outras proveniências como, por exemplo, espólios conventuais, confrarias e espólios de igrejas fechadas e sem actividade cultual.
O projecto assume, em simultâneo com a inventariação e sempre que se justifica, o compromisso de sensibilizar os responsáveis pelo património, para as acções de conservação preventiva mais adequada a cada tipologia de acervos. |
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Museóloga e Conservadora
Preservar significa antecipar o perigo da deterioração: o caso do acervo têxtil da Sé Catedral de Évora
A Fundação Eugénio de Almeida promoveu, no passado dia 10 de Abril, uma workshop no âmbito da conservação preventiva de tecidos e de têxteis, após termos colaborado na identificação de alguns tecidos componentes de elementos de paramentaria existentes, na Sé Catedral de Évora.
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Na circunstância, foi-nos facultado o acesso aos locais, onde se encontram guardados os diversos elementos componentes de conjuntos e peças avulsas de paramentaria, ainda em funções litúrgicas ou já retirados de uso, tendo sido muito gratificante para nós, verificar como se encontrava, exemplarmente acondicionado e protegido, o imenso e valioso espólio têxtil, que ao longo de séculos, serviu o culto da Arquidiocese de Évora e que, a breve trecho, será também exposto, nas adequadas condições.
Os paramentos e ornamentos do espaço sacro, compõem-se na sua grande maioria de fibras nobres, delicadas e frágeis como a seda, o linho ou a lã, às quais se juntaram, com frequência, lâminas e fios de ouro e de prata, quer no momento da produção dos tecidos, quer posteriormente, sob a forma de bordados directos, como maneira de enriquecer as peças destinadas ao serviço divino, podendo ainda esses trabalhos contar com a aplicação de gemas ou de pedraria de vidro multicor, pérolas, galões, franjas, fitas alamares, botões e colchetões de prata ou de latão, o que representa para os tecidos e têxteis componentes das peças paramentais, mais uns tantos elementos suplementares, capazes de interferir negativa e agressivamente, nas estruturas das fibras.
Se tivermos em atenção, o desgastante processo de produção de qualquer fibra têxtil, desde que foi retirada da sua fonte de alimentação (todo o processo de fabrico do linho, da seda e da lã implica diversas fases), até serem considerados utilizáveis, em vestuário, concluímos quão longe, se iniciou “a morte” daquelas fibras. Seguiu-se a tecelagem, com a inclusão de elementos metálicos, de vidro e outros, antes ainda, da sua principal função, o inevitável uso, com o sequente envelhecimento e principalmente, o mau e deficiente acondicionamento, manuseamento, tentativas de restauro e de limpeza.
Todas estas fases levam-nos a concluir, quanto estes bens culturais devem merecer da nossa parte, mais atenção e cuidado na sua preservação.
Sabendo que, a temperatura e humidade ambiental inadequadas, associadas à imprópria e indevida exposição à luz (natural ou artificial), contando ainda, com a poluição, as alterações químicas da atmosfera, os incorrectos materiais e produtos utilizados na fabricação de contentores e expositores, nas limpezas ou eliminação de pragas ou pestes, fácil se torna compreender a necessidade, de proporcionar às diversas peças de paramentaria um conveniente e adequado acondicionamento nos armários e arcazes das sacristias, evitando sempre, dobrá-las ou pendurá-las em cruzetas de madeira ou de plástico.
A paramentaria deve ser sempre estendida, do avesso e não empilhada, nos largos e profundos gavetões ou prateleiras, devidamente forrados e criados com essa finalidade.
A paramentaria e restantes peças têxteis produzidas para enobrecer o espaço de culto em datas festivas, devem receber os mesmos, senão mais e melhores cuidados, que uma obra de pintura, de escultura ou de ouro ou prata. Reconhecemos quanto o património têxtil é frágil e delicado, mas nem por esse motivo, tem recebido, por parte dos seus responsáveis, a atenção devida à sua conservação e protecção: a Arquidiocese de Évora apresenta-se como um modelo a seguir, dado que emerge, pela positiva, na forma como conserva o seu espólio. MPC
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· No III Encontro Nacional de Estudantes de História que durante os dias 6,7,8, e 9 de Março decorreu em Évora, a Dr.ª Ana Cristina Baptista – Directora de Projectos da FEA e o Dr. Artur Goulart, coordenador técnico-cientifico do Inventário Artístico da Arquidiocese de Évora, apresentaram, no painel intitulado "Évora, cidade património mundial e as novas tecnologias da informação" o projecto em curso. Nas suas intervenções salientaram a aposta na divulgação, ampla e alargada dos resultados, através das TIC, como uma componente fundamental e factor crítico do seu sucesso.
· Realizou-se, no passado dia 10 de Abril, o workshop Fios com História sob a coordenação de Manuela Pinto da Costa. A iniciativa, que pretendeu divulgar boas práticas na área da conservação preventiva de têxteis, reuniu participantes das áreas de conservação e restauro, museologia e arqueologia. O programa incluiu uma visita ao espólio têxtil da Sé Catedral de Évora.
· Na 8ª sessão do II Curso Livre de História de Arte Religiosa, promovido pelo Sector dos Bens Culturais do Patriarcado de Lisboa no passado dia 21 de Maio, foi apresentada a comunicação Processo de inventariação e catalogação de alfaias litúrgicas, pelo Dr. Artur Goulart, coordenador técnico-cientifico do Inventário Artístico da Arquidiocese de Évora.
· No dia 30 de Maio e no âmbito da realização do II Ciclo de Conferências para o Estudo dos Bens Culturais, sob o tema Iconografia Religiosa das Invocações Nacionais, promovido pela mesma instituição, o coordenador do projecto do Inventário apresentou a comunicação Os Santos Mártires de Évora.
· A Fundação Eugénio de Almeida editou dois livros que reúnem um conjunto das mais significativas peças dos acervos dos concelhos de Viana do Alentejo e da Região Norte do Alentejo (Mora, Avis, Fronteira e Ponte Sor), estudadas no âmbito do Inventário Artistico da Arquidiocese de Évora. A apresentação pública decorrerá no próximo mês de Outubro.
· em lugar em Londres, nos dias 25 e 26 de Outubro, o Gem-A Centenary Conference and The 2nd Annual European Gemmological Symposium, no qual participa o gemólogo Rui Galopim de Carvalho. A sua comunicação dá destaque ao livro “Pedras Preciosas na Arte e Devoção”, editado em 2006, pela Fundação Eugénio de Almeida, no âmbito do projecto do Inventário Artístico da Arquidiocese de Évora, e do qual é autor.
· O património artístico inventariado na Catedral de Stª Maria de Évora, que comemora 700 anos sobre a sua dedicação, está parcialmente disponibilizado on-line, no endereço www.inventarioaevora.com.pt. De todo o conjunto merece destaque a coroa de imagem, que terá sido oferecida à igreja por Vasco da Gama, durante a sua passagem por Évora, no século XVI e que pode ser apreciada no roteiro - Joalharia na Arte Devocional, da autoria do gemólogo Rui Galopim de Carvalho. |
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